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quarta-feira, 6 de abril de 2016

CINEMA - DÉCADA DE 70 : AS HISTÓRIAS DO "SESSENTA" ...

CINEMA - DÉCADA DE 70 : AS HISTÓRIAS DO "SESSENTA"
Na década de 70 havia um indivíduo conhecido como o "Sessenta" que era uma figura caricata que frequentava as salas de cinema e que era conhecido por todos devido à sua ingenuidade disparatada.
Existem várias histórias desta figura, algumas delas é preciso ter atenção devido ao seu português vernáculo.
Lembro-me de um desses casos passado na década de 70, junto à bilheteira do Cinema João Jardim, que hoje já n
ão existe, estava uma jovem a ver os cartazes do filme que seria exibido na próxima sessão. A jovem parecia estar indecisa, então o "Sessenta" na sua ingenuidade aproximou-se da jovem e diz; Esse é um filme com o Gringo, a menina pode confiar porque vale a pena, é um filme do caralhão ! - O que ele queria dizer é que era um bom filme.
Algumas vezes pontuais, o ator italiano Giuliano Gemma usou o pseudónimo Montgomery Wood, que era um nome com mais impacto internacional, então isso gerou uma certa confusão entre as pessoas que diziam que Montgomery Wood era o irmão gémeo de Giuliano Gemma. Num desses casos o "Sessenta" disse a alguém; Este filme também é muito bom, é com o irmão do Gringo, um filmaço do caralhão, vale a pena ver !
Certa vez estava o "Sessenta" a ver os cartazes dos "novos" filmes a estrear, e exclama; Caralho ! - mais um filme novo do Gringo (Giuliano Gemma), foda-se, tenho de ir ver, caralho !
Quando na sala de cinema passavam o trailer de um filme próximo a estrear, lá estava o "Sessenta" todo entusiasmado dizendo; Filho da puta do caralho, que grande "trálha", este deve ser um filmaço !
Mas o "Sessenta" também era conhecido como o "Drama", por ter a mania de contar ao pormenor todo o enredo do filme. Certa vez lá está ele a contar a "história" de um filme que tinha visto, e então dizia; O rapaz saiu montado a cavalo à procura da rapariga que estava presa numa cabana, depois de a desamarrar ela abraça o rapaz e começam no "cricanço" e o rapaz puxa-lhe as saias para cima e dá-lhe com a borracha. Depois aparecem os bandidos e eles fogem a cavalo para a cidade.
Certo dia estava o "Sessenta" lixado porque a lotação do cinema estava esgotada e bilheteira encerrada e ele não tinha conseguido bilhete. Então ele encosta-se à porta da entrada do cinema, bem junto a um grupo de moças que lá estavam, volta-se para uma delas e diz; Pena que a sala esteja com pulgas e baratas e a ainda por cima a enjoar a mijo (urina), chulé e "púpú". Uma dessas moças desiste e vende-lhe o bilhete.
Havia muitas destas "histórias" do "Sessenta", estas que aqui estão são as que lembro-me no momento.


O MEU MUNDO DA 7ª ARTE ...

O MEU MUNDO DA 7ª ARTE ! ...
RECORDAÇÕES DO PASSADO - 1ª Parte
Sou um "apaixonado" por cinema desde muito cedo e há quem chame a isso de vício, mas o cinema transportou-me para lugares inimagináveis na época em que eu tinha acabado de entrar na adolescência.
Estavamos no início da década de 70 quando eu comecei a dar atenção à 7ª arte, lembro-me que nessa altura não fazia ideia nenhuma do que era um bom ator, atriz ou realizador, o que realmente contava era o puro entretenimento que o cinema proporcionava. Ninguém da minha idade naquela altura discutia se a obra cinematográfica apresentada, era ou não, uma obra-prima.
Lembro-me que quando um filme apresentava uma cena cortada pela censura, ou por a cópia estar muito rodada, as pessoas faziam um barulho infernal de protesto por ter desaparecido alguns segundos do filme.
Na época na Cidade do Funchal existiam 3 salas de cinema, a melhor era o Cinema João Jardim, que era a que eu costumava ir, depois vinha as duas salas mais "pobres", o Cine Jardim e o Cine Parque, dois espaços que eu não gostava de ir porque estavam infestados de pulgas, e às vezes cheiravam mal, devido a certas pessoas que lá iam.
Ainda havia o Teatro Municipal, que era transformado em sala de cinema, era um local muito asseado, mas para assistir filmes só se fosse na platéia, porque nos camarotes não dava jeito nenhum, principalmente os que ficavam na lateral esquerda e direita.
Com a entrada da década de 80 apareceram mais três salas de cinema novas, Cine Santa Maria, Cine Casino e Cine Don João, que tinham boas condições, mas a maior sala era ainda o Cinema João Jardim.
Todas estas salas de cinema já não existem como tal, e os espaços foram aproveitados para outro tipo de atividades. Apenas sobrou o Teatro Municipal que de vez em quando exibe algum Festival de Cinema.
Com o encerramento destas salas de cinema, criou-se outras tantas que também já encerraram dando lugar outras novas salas que entretanto abriram, mas as boas recordações tenho da antiga sala do Cinema João Jardim.


 RECORDAÇÕES DO PASSADO - 2ª Parte
Com o aparecimento da Cassete de Video e dos Clubes de Video, na década de 80, surge a oportunidade de rever aqueles filmes que já tinha assistido nas salas do cinema, mas também a oportunidade de ver pela primeira vez todos aqueles filmes que desejava ter visto, mas por falta de oportunidade não vi, assim como outros filmes novos que iam surgindo, podendo assim assisti-los confortávelmente em casa.
Ao longo dos anos fui arranjando em DVD-Video todos aqueles velhos filmes que marcaram a minha adolescência e juventude, sinto alguma nostalgia, revejo os atores e atrizes que marcaram a geração dessa época, alguns entretanto já falecidos, outros aposentados do cinema, além de outros que ainda continuam em atividade. Recordar é viver e há muitos bons momentos que merecem ser recordados.
Tenho em arquivo os chamados filmes de culto, alguns deles são uma verdadeira raridade e muito difíceis de encontrar, de vez em quando vou recordando com muito prazer estes velhinhos clássicos do cinema internacional.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A HISTÓRIA DO ITALO-WESTERN / WESTERN SPAGHETTI

A HISTÓRIA DO ITALO-WESTERN, MAIS CONHECIDO POR SPAGHETTI-WESTERN
O que é um spaghetti western (faroeste italiano) ?
O spaghetti-western nasceu na primeira metade dos anos sessenta e durou até à segunda metade dos anos setenta. Esta designação deve-se ao facto de que a maioria destes filmes terem sido realizados e produzidos por italianos, frequentemente em colaboração com outros países europeus, principalmente Espanha e Alemanha. O nome 'spaghetti-western' foi originalmente um termo depreciativo, dado pela crítica estrangeira a estes filmes, que consideravam inferiores aos westerns americanos. A maioria dos filmes foram feitos com orçamentos baixos, mas vários conseguiram ainda assim ser inovadores e artísticos, ainda que nesse período não tenham recebido muito reconhecimento, até mesmo na Europa. Na década de oitenta a reputação do género cresceu e actualmente o termo não é já usado de forma depreciativa. Ainda assim alguns italianos preferem continuar a chamar-lhes ‘western all’italiana’ (westerns à italiana). No Japão, eles são chamados ‘Macarroni westerns’, na Alemanha ‘Italowestern’ e "Chourizo Western" em Espanha.
O que há de tão especial nele?
É muitas vezes afirmado que o género surgiu como resposta ao enorme sucesso de Sergio Leone, Por um punhado de dólares (1964), uma adaptação de um filme de samurais japonês chamado Yojimbo (Akira Kurosawa, 1961). Mas um punhado de westerns haviam já sido feitos em Itália antes que Leone redefinisse o género. E os italianos nem foram os primeiros a fazer westerns na Europa na década de sessenta. Na Alemanha, uma série de westerns de imenso sucesso baseados na obra de Karl May haviam já sido produzidos. Sendo que o primeiro western europeu a ter pelo menos alguns dos ingredientes normalmente associados ao 'western spaghetti', foi feito sem qualquer envolvimento italiano, tratando-se de uma co-produção Inglesa/Espanhola: Tierra brutal (Michael Carreras, 1962).
Mas foi certamente Sergio Leone que definiu o olhar e a atitude do género, com seu primeiro western Por um punhado de dólares (1964) e os dois que se seguiriam: Por mais alguns dólares (1965) e O Bom, o mau e o vilão (1966). Reunidos, esses filmes são usualmente designados ‘A Trilogia dos dólares’. O oeste de Leone era um deserto poeirento de aldeias caiadas de branco, ventos uivantes, cães magricelas e cínicos heróis - tão barbudos como os vilões.
Todos os três filmes tiveram bandas sonoras compostas por Ennio Morricone, a sua música era tão pouco comum quanto as imagens de Leone: ele não só utilizava instrumentos como a trompete, a harpa e a guitarra eléctrica, mas também adicionava assobios, chicotes e tiros à mistura - descrito por um crítico como uma "rattlesnake in a drumkit”. Morricone haveria de compor mais de 30 bandas sonoras para westerns italianos e foi um factor chave para o sucesso do género.
Em geral os westerns-spaghetti são mais orientados para a acção do que suas parceiros americanos. Os diálogos são escassos e alguns críticos têm apontado que foram construídos como óperas, utilizando a música como um ingrediente ilustrativo da narrativa. Durante anos os westerns haviam sido chamados de 'horse opera’, mas como o professor de estudos culturais - Christopher Frayling - salientou, foram os italianos a demonstrar o que o termo realmente significa.
Nessa época bastantes westerns foram lançados, muitos deles bastante violentos, o que lhes valeria diversos problemas com a censura. Levando-os a ser cortados ou mesmo proibidos em determinados mercados. Muitos destes westerns-spaghetti têm como palco a fronteira Americano-Mexicana e continham bandidos mexicanos sádicos e barulhentos. A Guerra Civil Americana e as suas consequências são outro panorama frequentemente usado. Em vez dos usuais nomes como Will Kane ou Ethan Edwards, os heróis muitas vezes têm nomes estranhos como Ringo, Sartana, Sabata, Johnny Oro, Arizona Colt ou Django.
O género é inegavelmente um género católico (alguns nomes frequentemente usados são Aleluia, Cemitério, Trindade e Água Benta Joe!), com um estilo visual fortemente influenciado pela iconografia católica. Por exemplo: a crucificação, a última ceia ou o ecce homo (Eis o homem). A surreal extravagancia Django mata! (Se sei vivo, Spara, 1967) de Giulio Questi, um ex-assistente de Fellini(!), tem como herói um tipo ressuscitado que testemunha o Dia do Julgamento numa empoeirada cidade ocidental.
As cenas exteriores de muitos westerns-spaghetti, especialmente aqueles com um orçamento relativamente maior, foram filmadas em Espanha. Especialmente no deserto de Tabernas (Almeria, Andaluzia), Colmenar Viejo e Hoyo de Manzanares (perto de Madrid). Na Itália, a província de Lazio (arredores de Roma) foi o local favorito. Alguns westerns-spaghetti foram também filmados nos Alpes, Norte de África ou Israel. Já as cenas de interiores eram geralmente filmadas nas cidades western dos estúdios de Roma, como o Cinecittà ou o Elios. Os estúdios Elios continham também uma "cidade mexicana" próxima da "cidade americana".
Uma breve história
# Primórdios
Os westerns sempre foram populares em Itália. Alguns westerns foram mesmo produzidos durante a Segunda Guerra Mundial, quando o governo fascista excluía os westerns americanos dos cinemas italianos. Como é o caso Il Fanciullo del West (1942) de Giorgio Ferroni, que haveria de realizar diversos westerns-spaghetti durante o auge do género. Mas na década de sessenta a ausência de westerns americanos nos cinemas europeus tinha outra razão: alguns dos mais importantes realizadores do género, como John Ford ou Anthony Mann haviam sido relegados para trabalhos na televisão.
Os filmes baseados na obra de Karl May criaram um contexto cultural e financeiro interessante para a produção em larga escala de westerns na Europa. Os primeiros exemplares de westerns italianos produzidos nos anos sessenta, assemelhavam-se com westerns americanos de série B, com elencos e equipas escamoteadas atrás de pseudónimos americanos. “Por um punhado de dólares” de Leone foi produzido simultaneamente com Le Pistole non discutono de Mario Caiano. Enquanto Leone redefinia o género western, Caiano contava uma história clássica ocidental sobre o xerife Pat Garret, e quando Caiano contratava um veterano actor americano (Rod Cameron), Leone escolhia um actor jovem chamado Clint Eastwood.
Numa fase em que o género ainda estava na sua infância, muitos dos filmes produzidos nesse ano de transição – 1965 – misturavam influências americanas com italianas. Filmes esses como Uma pistola para Ringo e O regresso de Ringo ambos realizados por Duccio Tessari e com Giuliano Gemma, a primeira mega estrela italiana do género. Leone chegou ainda a assinar a versão internacional de “Por um punhado de dólares” com o pseudónimo americanizado Bob Robertson. O primeiro italiano a assinar um western-spaghetti com o seu próprio nome seria Sergio Corbucci, em Seis balas assassinas (1965).
# Os anos de Glória: 1966 - 1968
Neste breve período foi feita a maioria dos filmes que se tornariam clássicos. Em 1966 Leone fez O Bom, o mau e o vilão, geralmente considerado como o spaghetti-western por excelência, e agora considerado por muitos como o melhor western já feito. Outro marco foi o pioneiro Django de Sergio Corbucci (muitas vezes chamado de "o outro Sergio"), que se tornou no protótipo do conto de vingança e gerou diversos filmes com 'Django' no título. Em 1968, esses dois realizadores mostraram mais duas obras-primas indiscutíveis do género: Leone fez o lendário Aconteceu no oeste, o primeiro western-spaghetti a atrair a atenção dos chamados críticos “sérios”, e Corbucci fez o devastador O grande Silêncio , que foi totalmente filmado na neve e subverteu praticamente todas as convenções de género, entre eles o cliché de que o bonzinho sempre vence no final.
Outro realizador do período dourado do género foi Sergio Sollima (o terceiro Sergio), o mais intelectual e politicamente empenhada de todos os realizadores do western-spaghetti. O seu O grande pistoleiro (1966), com Lee van Cleef - que também apareceu em dois dos três filmes da Trilogia do Dólar - é um conto sobre a luta de classes, bem como uma desconstrução da mitologia do pistoleiro da lei. Cara a cara (1967) é a história de um professor da faculdade de New England, que viaja para o sul e descobre seu instinto violento quando está refém de um bandido. O professor é interpretado por Gian Maria Volonté - outro veterano de Leone - enquanto o bandido é desempenhado pelo actor cubano-americano Tomas Milian.
Volonté também apareceu no "Mercenário - Quién sabe?" (1966) de Damiano Damiani, um filme que deu o mote para uma série de westerns políticos com acção no México, durante as várias revoluções mexicanas, os chamados "westerns Zapata” (ocasionalmente chamados de "tortilla-westerns). Tomas Milian haveria de aparecer em muitos desses westerns Zapata, sempre como um peão, um agricultor mexicano feito revolucionário. Nas suas próprias palavras, ele tornou-se num "símbolo da pobreza e da revolução". Situado no México, e filmado num estilo barroco ocidental, os westerns Zapata pareciam no entanto mais preocupados com politicas europeais do que americanas (do Norte ou Latinas).
Na década de sessenta os ideais marxistas estavam largamente difundidas entre os intelectuais europeus, especialmente nos países do Mediterrâneo, e os westerns Zapata pareciam reflectir as ideias revolucionárias que viviam dentro deles. Sendo mais sofisticados e intelectuais que a maioria dos westerns "comuns", os Zapata westerns eram populares entre os estudantes. Mas eram também muito populares entre o público do terceiro mundo. Entre os melhores Zapatas estão Tepepa de Gulio Petroni e, O pistoleiro profissional de Sergio Corbucci (ambos lançados em 1968).
1969 mostrou um declínio no número de westerns produzidos, e uma tendência para parodiar o género, já anunciado no ano anterior mas agora mais evidente, especialmente nos filmes da saga Sartana - muitas vezes chamados como a resposta do western-spaghetti aos filmes de James Bond.
# Período cómico
Em 1970, Enzo Barboni, que havia sido o director de fotografia no Django de Corbucci, fez Trinitá, o Cowboy insolente. O que era paródia tornava-se agora palhaçada, e o filme tornou-se um êxito estrondoso em todo o mundo. Marcando também o início de um novo período dourado, não tanto para o western-spaghetti, mas pelo menos para a indústria cinematográfica italiana. Numerosos westerns cómicos foram produzidos e os actores Terence Hill e Bud Spencer tornaram-se ambos estrelas internacionais. Em geral, os fãs do género western-spaghetti não são grandes apreciadores destas comédias, mas os filmes da saga Trinitá são bastante divertidos, e o segundo filme Continuaram a chamar-me Trinitá foi mesmo o filme mais bem sucedido do western italiano desde o seu surgimento.
Meu nome é ninguém, realizado por Tonino Valerii (supervisionado por Leone), é um devaneio serio-cómico sobre o fim do western. Alguns filmes misturaram também os elementos do western-spaghetti com os filmes de artes marciais de Hong Kong. Normalmente com uma estrela oriental a surgir no faroeste, mas nenhum desses filmes se tornou um verdadeiro clássico.
Ainda que dominados pelos westerns cómicos, alguns westerns sérios foram também produzidos na primeira metade dos anos setenta. Corbucci fez Companheiros, uma espécie de sequela do seu O pistoleiro profissional (1968), enquanto que Leone fez Aguenta-te canalha (1971), um exercício um pouco diferente sobre os westerns-spaghetti políticos.
# Crepúsculo
Quando tudo parecia acabado, o género teve o seu último fôlego com os chamados spaghettis-crepusculares. Westerns sérios, artísticos e melancólicos, que glorificaram (e fizeram o luto) tanto o final do género, como a decadência da indústria western italiana. Estes filmes foram parcialmente filmados nas cidades do oeste - agora em ruínas - dos estúdios romanos que haviam produzido dezenas de westerns em cada ano da década anterior. Dois dos melhores spaghettis-crepusculares são Califórnia de Michele Lupo, com Giuliano Gemma, uma das primeiras e maiores estrelas italianas do género, e Keoma, realizado pelo prolífico Enzo G. Castellari e protagonizado por Franco Nero, que havia representado Django uma década antes.
Hoje
Uma nova geração de cineastas, representada por gente como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez têm redescoberto e abraçado o género, introduzindo elementos nos seus próprios argumentos e desenvolvendo um estilo visual influenciado pelos mestres italianos dos anos sessenta. Ao mesmo tempo, veteranos do cinema como Martin Scorsese, Steven Spielberg, e claro Clint Eastwood, têm confirmado a sua grande admiração por Sergio Leone - que é hoje universalmente reconhecido como um dos maiores cineastas de todos os tempos. Ennio Morricone recebeu em 2007 um um 'Oscar' honorário, pela "sua magnífica e multifacetada contribuição à arte da música para filmes”. Clint Eastwood ficou ao seu lado na cerimónia. Tinham-se encontrado dois dias antes, pela primeira vez em 40 anos. A introdução do DVD nos dias de hoje contribuiu muito para o género, pela primeira vez as novas gerações puderam ver os filmes na sua beleza panorâmica completa. E embora ainda haja muito material perdido, os filmes mais importantes estão agora disponíveis em DVD.

quinta-feira, 31 de março de 2016

A ÉPOCA DO WESTERN-SPAGHETTI

FILMES DE CULTO DE BAIXO ORÇAMENTO : NA ÉPOCA DO WESTERN-SPAGHETTI
Nos últimos anos tenho me dedicado ao cinema de culto, entre este género de cinema destaco o western italiano que ficou mundialmente conhecido como Western-Spaghetti.

Estas películas italianas eram produções de baixo custo cujos exteriores eram quase sempre filmados em Espanha devido a excelentes localizações para os cenários, e os interiores eram filmados em Italia em diferentes estúdios italianos.
Apesar de serem produções de baixo custo, a vantagem é que a grande maioria destes filmes foram filmados no formato Widescreen (tela-larga) e uma minoria em Fullscrenn (tela-cheia) e a cor era bastante boa na grande maioria dos casos.
Não se pode dizer que eram excelentes filmes, embora se abra algumas raras excepções em alguns casos, estas produções tinham um pouco de tudo entre o muito bom, o bom, o razoavel, o mau e o muito mau, mas porpocionava bons momentos de pura diversão ao se assistir um filme destes.
Entre inicios da década de 60 até finais da década de 70 foram produzidos mais de 600 filmes Western-Spaghetti na Europa, quase todos de produção ou co-produção italiana.
O Western-Spaghetti era produzido em uma espécie de melting pot de actores origináriode diversos países, Espanhóis, Argentinos, Brasileiros, Mexicanos, Austríacos, Alemães, Franceses, Hungaros, Ingleses, Norte Americanos e Italianos.
Muitos destes actores usaram durante anos Pseudónimos como nome artístico para que fosse mais sonante no mercado Norte Americano e Internacional.
Alguns actores italianos que se destacaram no mercado internacional até aos dias de hoje foram Montgomery Wood (Giuliano Gemma), Terence Hill (Mario Girotti), Bud Spencer (Carlo Pedersoli) e Franco Nero, e muitos outros.
Estes filmes eram sempre dobrados no idioma do país onde iam ser exibidos nas salas do cinema, em outros casos eram legendados, mas de maneira geral cada filme era dobrado em inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, e português para o mercado brasileiro.
Outros actores que conseguiram chegar à fama mundial através deste estilo de filme de produção italiana foram os brasileiros António de Téffe (Anthony Steffen) e Adolfo Celi.
Actores espanhois também fizeram história neste tipo de filme, Fernando Sancho e Fernando Lamas foram alguns deles.
Outros actores tiveram como suporte estes westerns à italiana para alcançarem a fama mundial, por exemplo o actor alemão de origem polaca Klaus Kinski, ou os actores austríacos Frank Wolf, e William Berger, da alemanha veio ainda o actor Peter Lee Lawrence.
Ainda fizeram carreira neste género de cinema o actor argentino George Hilton e os méxicanos Pedro Sanches e Pedro Armendariz, e os actores cubanos Tomas Millian e Tony Musante.
Dos Estados Unidos vieram por exemplo actores como Lee Van Cleef, Richard Harrison, Gilbert Roland, Tony Randall, Tony Anthony, Robert Wood (Robert Woods), Jack Palance, Eli Wallach, e Clint Eastwood
que estava em inicio de carreira no cinema.

Ainda houve alguns conceituados actores de Hollywood que que quiseram experimentar este genero de western produzidos na Europa, Charles Bronson, James Coburn, Henry Fonda, Rod Steiger, e o actor cigano de origem russa, Yul Brynner, foram alguns deles.
Actores franceses vieram o cantor Johnny Halliday, Alain Delon, e Jean Louis Trintignant, entre outros.
Da Hungria veio por exemplo o actor John Garko, que também assinou como Gianni Garko, e John Gidra.
Estes filmes eram tão populares que até o músico, cantor e actor inglês Ringo Starr (Richard Starkey), mais conhecido por ter sido baterista dos The Beatles, entrou como actor em um destes filmes em 1971, ao qual também escreveu parte da banda sonora, o filme chama-se "The Blindman" e tem como protagonista principal o actor Tony Anthony e curiosamente Ringo Starr interpreta o papel de mexicano.
O actor escocês Sean Connery que ficou famoso após ser protogonista dos primeiros filmes 007 James Bond, também aventurou-se em um destes filmes, "Shalako" de 1968, embora tenha sido uma única vez.
Como já referi, a grande maioria destes actores usavam pseudonimos como nomes artísticos, embora alguns usassem o seu nome próprio,com o declínio do Western-Spaghetti no final da decada de 70, muitos desdes actores desapareceram da cena internacional, muitos regressaram ao seu país de origem onde lá continuaram a sua carreira artística, outros voltaram a usar o seu nome próprio e assim continuaram as suas carreiras, alguns outros mantiveram o nome artístico e deram o salto do Western-Spaghetti para outro género de cinema como comédias, policiais e dramas.
Os Norte Americanos esforçavam-se por dar uma imagem mais limpinha do oeste americano nos seus westerns, já os italianos eram mais realistas nos seus westerns-spaghetti onde davam uma imagem mais rude e mais crua do oeste norte americano.
Todos estes filmes eram puro entretenimento que marcaram uma época durante duas décadas e também marcaram as gerações de 60 e 70 que agora recorda estes filmes com uma certa nostalgia.